NÃO ACABOU, TEM QUE ACABAR

por Rionarua | 17/03/2014

Espalhe!

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ilustração do Ñ Coletivo – Design Indignação

A notícia é aterradora e serve de exemplo emblemático do modo como a população carioca está entregue à própria sorte: Cláudia da Silva Ferreira, 38 anos, morreu depois de ser atingida por dois tiros de fuzil no Morro da Congonha, em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, e arrastada por 250 metros por uma viatura da Polícia Militar que supostamente fazia o transporte da ferida ao hospital mais próximo. Cláudia havia saído de casa na manhã de domingo com R$ 6,00 no bolso para comprar pão e mortadela para a família quando, segundo testemunhas, foi atingida no peito e na cabeça em fogo cruzado entre PMs e traficantes do local. Segundo testemunhas, os policiais demoraram a prestar socorro. A nota divulgada pela PM afirma que a viatura prestava socorro à auxiliar de serviços gerais, que teria sido transportada no porta-malas quando este se abriu. Já a Secretaria Estadual de Saúde alega que a vítima chegou ao hospital morta.

Independente das versões oficiais dadas pelo Estado (Polícia Militar e Secretaria de Saúde) temos algumas considerações sobre a morte:

- O fato de o corpo da vítima ter sido removido do lugar em que o assassinato aconteceu impossibilita qualquer tipo de perícia para encontrar os culpados pela morte de Cláudia;

- A vítima não recebeu socorro apropriado a tempo, com o agravante de ter sido colocada no porta-malas da viatura. Ainda que a PM não seja capacitada a prestar socorro médico (sua orientação é acionar o SAMU tão logo haja uma ocorrência), sabemos que o sistema de saúde de emergência é precário no Rio, especialmente em favelas. Nessas circunstâncias, caberia à PM realizar prontamente o transporte da vítima até a unidade de pronto-socorro mais próxima;

- Caso fosse um policial atingido, o socorro seria feito dessa maneira? Haveria perícia para apurar a origem do tiro? O corpo de um policial seria colocado no porta-malas de um carro correndo o risco de acontecer a tragédia maior que aconteceu a Cláudia, ter sido arrastada ao longo de 250 metros?

A nota oficial da PM é mais uma demonstração da displiscência e apatia da corporação frente ao absurdos cometidos por seus membros no tratamento da população.
Vale lembrar que os policiais envolvidos no caso são lotados no 9º Batalhão da Polícia Militar, o mesmo batalhão que só no começo desse ano já realizou três execuções absurdas de jovens da região (http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/rj-4-pms-sao-presos-apos-morte-de-adolescente-na-zona-norte,b3848e90a5064410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html e http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/policiais-que-teriam-matado-jovens-em-rocha-miranda-serao-indiciados.html).

A vítima de hoje foi uma mulher negra e pobre, moradora de uma favela situada em um bairro de classe média baixa do Rio de Janeiro. Cláudia, 38 anos, trabalhadora, mãe de quatro filhos, criava quatro sobrinhos. Mais uma vítima da ação bárbara da PMERJ. A voz das ruas diz que “a polícia mata pobre todo dia”. Quantos outros casos como o dela não ganharam voz na grande mídia? E qual voz o caso Cláudia ganhará? Sua morte é mais um exemplo de que a desmilitarização da polícia é uma questão urgente. Não queremos mais exemplos. Queremos o fim da Polícia Militar.

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3 thoughts on “NÃO ACABOU, TEM QUE ACABAR

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